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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Osama salvaria Obama?



Tão perto das eleições presidenciais norte-americanas (novembro de 2012) e aquele otimismo que contagiou a todos na ocasião em que Obama foi eleito parece simplesmente ter desaparecido. Vamos aos fatos: há poucas razões para qualquer otimismo em relação ao futuro político dos Estados Unidos. O país não tem apresentado indícios de crescimento e sua máquina de guerra começa a lhe custar caro, atingindo uma região sensível do Tio Sam, o bolso.
Redundante dizer, mas vale lembrar assim mesmo, que W Bush, o antecessor de Obama, havia realizado uma campanha tão ruim que até o estadunidense mais conservador estava ansioso para se livrar dele, logo o mundo respirava aliviado pelo fato de George se despedir da Casa Branca. Isso foi amplificado um milhão de vezes com a possibilidade de o novo ocupante da cadeira presidencial ser um negro- o que era, e é, uma quebra de paradigmas digna de nota - além de ser do partido republicano, "O" contra-ponto ao que Bush representava políticamente.
No entanto, a América continuaria a mesma. Não me lembro de quem foi essa frase mas ela se encaixa perfeitamente no contexto “somos um país muito conservador e não mudaremos tão facilmente”, Fato! Logo é ilusão imaginar que alguém poderia se sobrepor a toda a história política dos Estados Unidos da América e mudar drasticamente sua relação com o restante do mundo.
Mas o maior desafio do então novo presidente não se encontrava nos embates bélicos do oriente médio e sim em casa. A economia precisava crescer, era necessário que mais empregos fossem gerados, o que não aconteceu de forma expressiva.
Hoje a realidade econômica dos norte-americanos é ainda mais grave e isso se reflete em movimentos como o Ocuppy Wall Street e o Tea Party. Embora partam de pontos de vista antagônicos (o primeiro situado mais à esquerda e o segundo proveniente de uma linha conservadora de direita) os dois movimentos demonstram a insatisfação dos americanos com a stual situação e demonstra a fragilidade financeira do país. Segundo especialistas, a desigualdade social americana é comparável a países da América do Sul e da África.
Como resultado, o eleitorado que deu a vitória a Obama se sente enganado porque o Presidente não pôde reduzir as disparidades sociais, e os mais tradicionalistas, normalmente ligados às elites econômicas norte americanas, anseiam por um sucessor que seja capaz de preservar o status quo e os privilégios de alguns grupos.
Escrevi há algum tempo que a morte de Osama Bin Laden, ícone máximo do terrorismo após o 11 de setembro, poderia dar vantagens a Obama nas reeleições, mas ao que parece isso não irá comover o povo americano se seus bolsos continuarem vazios. Trocadilho infame, mas pertinente: nem Osama salva Obama. Piadas a parte, o que assusta é que, no lugar de Obama, a Casa Branca pode receber um republicano ainda mais retrógrado do que George Bush foi, e então teríamos um Estado Americano muito menos disposto ao diálogo do que o que temos hoje. Nada é tão ruim que não possa ser piorado. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bin Laden e os presidentes norte-americanos



Osama Bin Laden, outrora o terrorista mais procurado do mundo, está morto (ou não).
É o assunto do momento em todos os meios de comunicação, de grandes jornais a blogs despretensiosos como este. Ironicamente os dois últimos presidentes norte americanos devem muito à Osama. Tanto o belicista (e fundamentalista) George “son” Bush, quanto Barack Obama.




Basta avaliar os dois contextos. George estava fadado a entrar pra história apenas como o segundo Bush a ocupar a Casa Branca e, claro, como o presidente norte americano com o menor QI até então, isso sem falar de sua fama como “trombadinha eleitoral”.
Sua sorte mudou com o famigerado ataque às Torres Gêmeas. Daquele dia em diante George Bush assumiu sua legítima vocação de Cowboy texano e passou a brincar de John Wayne com Bin Laden. A guerra deu ao governo Bush alguma relevância para o povo estadunidense.
Em um período dominado pelo medo e pelo ódio, saber que o seu presidente está apto para atirar primeiro e perguntar depois trazia um certo alívio para a população americana. Tanto que as pessoas, em sua maioria, nem questionaram a moralidade de” uma” Guantanamo.




O Caso de Obama parece seguir um paralelo semelhante. Eleito com euforia após o desastroso governo Bush, Obama foi recebido pelo mundo com entusiasmo. Simbolicamente, ele parecia romper toda a tradição política americana, tanto pelo fato de ser um homem negro, quanto por ser um democrata que aspirava a cadeira que há anos era ocupada pelos republicanos, com tendências mais conservadoras no contexto político americano.


Obama chegou à Casa Branca com um nível elevado de popularidade, o que não se manteve nos meses que se seguiram já que ele não conseguiu lidar com os problemas econômicos internos, como desemprego e preços altos de bens como a gasolina. Com claras intenções de se reeleger, Obama não contava com o apoio da maioria da população, até o anunciar a morte de Osama Bin Laden, principal nome da Al Qaeda até então.


Assim como seu antecessor, Bush, Obama pode ter sido beneficiado pela existência de Bin Laden, o que pode lhe garantir um segundo mandato. Com o ufanismo norte-americano mais aceso do que nunca, ele parece ter ganhado pontos consideráveis para a futura corrida presidencial. Só faltou mostrar o tal corpo do Osama.