Este é o meu espaço de discussão e reflexão. Onde exponho idéias,algumas boas e outras nem tanto. De cinema, quadrinhos, música e política. Pelo exercício do pensamento...
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Histórias cruzadas
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Conceição

É engraçado como crescemos e passamos uma boa parte de nossas vidas sem nos dar conta de quem realmente são nossos pais, ou melhor sem compreendê-los enquanto as pessoas que eles são. Sem querer me arriscar com minha psicologia barata, mas acredito que isso se deve ao fato de passarmos muito tempo com uma ideia preconcebida de quem eles são. Enfim, são figuras que se encontram completas em nossas mentes, e durante um período considerável os enxergamos como indivíduos sem falhas, verdadeiros arquétipos. Depois os consideramos obsoletos, porque o comportamento “descolado” dos colegas de adolescência se revela muito mais interessante.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Um câncer chamado especulação imobiliária (vide Cracolândia e Pinheirinho)

O governo de São Paulo tem feito por merecer as alcunhas que recebeu nos blogs e redes sociais. A gestão de Geraldo Alckmin se mostra cada dia mais fascista e retrograda. Absurdo o tratamento dado aos viciados da cracolândia paulistana, relatos de violência desnecessária utilizada pelos policiais pipocam nas redes. O que é, nitidamente, um problema de saúde pública foi transformado em um caso de enfrentamento policial, infringindo mais sofrimento àquelas pessoas. O plano mirabolante consistia em privar os viciados da droga e do lugar onde a utilizavam forçando-os a procurar ajuda, o que consequentemente reduziria o consumo.
Inflamando ainda mais a situação, a operação se mostrou atabalhoada quando vários viciados não conseguiram se internar ao procurarem a tal ajuda anunciada. A cidade não contava com a infraestrutura necessária para receber os usuários, o que só me leva a concluir que não houve de fato preocupação em preparar clínicas de tratamento em quantidade o suficiente para a demanda. Ao que tudo indica, a medida tem cunho meramente higienista, ou seja, a intenção é “limpar” aquela região da cidade para valorizar os imóveis. Tudo em nome de um câncer chamado especulação imobiliária.
O massacre de Pinheirinho, comunidade onde moravam mais de seis mil pessoas, em São José dos Campos, foi outra ação equivocada de Alckmin e Cia. A tropa de choque foi enviada para restituir a propriedade a Naji Nahas, empresário que, segundo informações, deve milhões à prefeitura de São Paulo. Tanto Geraldo Alckmin quanto Eduardo Cury, respectivamente, governador de São Paulo e prefeito de São José dos Campos, são agora responsáveis por um dos episódios mais emblemáticos no que diz respeito à violação de direitos humanos em nossa história recente. Os relatos são assustadores e vão de espancamentos a óbitos, incluindo uma criança de 4 anos que teria falecido após ser atingida por uma bala de borracha no pescoço.
O episódio indescritível e inominável para mim, custou caro para a imagem política do governador e do prefeito, é o tipo de mancha difícil de esconder. Agora que o estrago foi feito, ambos anunciam a construção de casas populares para abrigar pessoas pobres da cidade, o que poderia ter sido feito antes e sem nenhuma intervenção militar.
Choca? Sim e muito, mas tão surpreendente quanto isso é notar que uma boa parcela da população apóia o que aconteceu lá. Não foram poucos os comentários que li na internet em que as pessoas diziam concordar com o que foi feito, tudo baseado na defesa da “propriedade privada”, com argumentos do tipo: “imagine se invadem a sua casa, você concordaria?”
O grau de individualismo e ignorância chega a ser tão extremo que o sujeito não consegue diferenciar um latifúndio que foi utilizado para uma função social, não entro aqui em discussões legais, de uma propriedade que de fato é a moradia de alguém. Muito menos se dá conta de que cerca de seis mil pessoas estão agora desabrigadas e com marcas profundas em seus históricos pessoais. Como se não bastasse a pobreza, esses cidadãos foram tratados como criminosos e, por mais que a reintegração de posse estivesse dentro da Lei, a ação truculenta e irresponsável não se justifica. Era uma obrigação do Estado estabelecer um canal de diálogo e encontrar uma solução pacífica. O Brasil reforçou aqui sua conhecida tradição de ojeriza aos movimentos sociais e tratamento violento para as camadas mais pobres. Repressão, porrada e cadeia para quem não se enquadra ou abaixa a cabeça. Histórias como a de Canudos, registrada no romance de Euclides da Cunha, parecem se repetir e é incrível o quanto a situação se mantém praticamente inalterada, não importa o quanto avancemos em outros aspectos.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Inadequado

O recente caso do suposto estupro no BBB, envolvendo os participantes Daniel (31) e Monique (23) trouxe à tona, de maneira ainda mais evidente, algumas facetas nada dignas de orgulho do nosso comportamento. Há quem diga que Monique é culpada pelo que aconteceu, como se tivesse dado permissão para o abuso sexual, opinião que revela um dos lados mais repulsivos do machismo tão vigente no país. Do outro lado, há quem associe a conduta, sem dúvida condenável, de Daniel à sua condição de negro, o que evidencia outro preconceito profundamente arraigado em nossa cultura e que se mantém velado na maior parte do tempo, mas se mostra de maneira desavergonhada em momentos assim.
Tão ruim quanto tudo o que foi citado até aqui é o comportamento da mega corporação televisiva que transmite o reality show no Brasil. A Rede Globo tentou até o último momento ignorar o que aconteceu e só tomou uma posição quando viu que não tinha como ignorar a opinião pública, vide o caso da marcha pelas Diretas Já em 1984, quando a emissora disse de maneira clara que era tudo parte das comemorações do aniversário de São Paulo.
Daniel está fora da casa e já responde moralmente por seu erro, aguardando agora as devidas sansões legais. A nota da Rede Globo classifica o comportamento de Daniel como “inadequado”. Correto. Mas não deixa de ser irônico, principalmente vindo do canal de TV que promove e veicula um reallity show que propicia o que há de mais degradante no comportamento humano, e vende isso como uma espécie de padrão a ser seguido, uma vez que transforma desconhecidos em celebridades, premiando a super-exposição midiática, super-valorizando atributos físicos em detrimento de aspectos comportamentais e tornando tudo isso parte do kit de objetos de desejo do cidadão comum. O que é mesmo “inadequado”?
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Osama salvaria Obama?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Apenas uma piada...

Minha dificuldade em rir de determinadas piadas tem crescido consideravelmente. Pensei se o problema não seria o meu senso de humor e cheguei à conclusão de que, ou ele não é tão apurado, ou a definição de “piada” da grande maioria anda um tanto distorcida. Definitivamente, não consigo compreender o humor por trás das ditas piadas que desmerecem crenças religiosas minoritárias (candomblé, etc), de teor homofóbico, machista ou mesmo as tais “piadinhas” racistas, com as quais tive que conviver ao longo da vida e sempre ouvindo que não passavam de meras brincadeiras, portanto eu não deveria me importar.
E está aí o grande mérito dessas formas “inocentes” de disseminar o preconceito: são apenas “brincadeiras”. Tão inocentes que, na minha infância as tais piadas eram lugar comum na programação televisiva, refletindo de maneira ainda mais aberta uma cultura fascistoide e retrógada.
E, se avançamos, pelo menos no aspecto de a TV não se permitir mais algumas aberrações tão explícitas (apenas algumas, porque há uma lista infindável delas), ainda contamos com uma cultura extremamente conservadora e que não permite a presença do “outro”, aquele que difere em aspectos filosóficos, no gênero, na opção religiosa, sexual ou até mesmo no direito de não pertencer a nenhuma religião.
Ironicamente, nos orgulhamos da liberdade existente no mundo ocidental (em contra-ponto à opressão do oriente médio – como se aqui ela não existisse), mas nos mostramos tão fundamentalistas quanto aqueles a quem costumamos taxar de “atrasados”.
Quanto às piadas, elas têm perdido, pelo mau uso, as características que as tornam de fato interessantes, além de assimilar aspectos toscos, indo cada vez mais pelo caminho fácil da ofensa gratuita. Uma boa explicação para a letargia atual dos humoristas de plantão: pensar dá trabalho.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Unidades Pacificadoras?


