
Este é o meu espaço de discussão e reflexão. Onde exponho idéias,algumas boas e outras nem tanto. De cinema, quadrinhos, música e política. Pelo exercício do pensamento...
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Osama salvaria Obama?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Apenas uma piada...

Minha dificuldade em rir de determinadas piadas tem crescido consideravelmente. Pensei se o problema não seria o meu senso de humor e cheguei à conclusão de que, ou ele não é tão apurado, ou a definição de “piada” da grande maioria anda um tanto distorcida. Definitivamente, não consigo compreender o humor por trás das ditas piadas que desmerecem crenças religiosas minoritárias (candomblé, etc), de teor homofóbico, machista ou mesmo as tais “piadinhas” racistas, com as quais tive que conviver ao longo da vida e sempre ouvindo que não passavam de meras brincadeiras, portanto eu não deveria me importar.
E está aí o grande mérito dessas formas “inocentes” de disseminar o preconceito: são apenas “brincadeiras”. Tão inocentes que, na minha infância as tais piadas eram lugar comum na programação televisiva, refletindo de maneira ainda mais aberta uma cultura fascistoide e retrógada.
E, se avançamos, pelo menos no aspecto de a TV não se permitir mais algumas aberrações tão explícitas (apenas algumas, porque há uma lista infindável delas), ainda contamos com uma cultura extremamente conservadora e que não permite a presença do “outro”, aquele que difere em aspectos filosóficos, no gênero, na opção religiosa, sexual ou até mesmo no direito de não pertencer a nenhuma religião.
Ironicamente, nos orgulhamos da liberdade existente no mundo ocidental (em contra-ponto à opressão do oriente médio – como se aqui ela não existisse), mas nos mostramos tão fundamentalistas quanto aqueles a quem costumamos taxar de “atrasados”.
Quanto às piadas, elas têm perdido, pelo mau uso, as características que as tornam de fato interessantes, além de assimilar aspectos toscos, indo cada vez mais pelo caminho fácil da ofensa gratuita. Uma boa explicação para a letargia atual dos humoristas de plantão: pensar dá trabalho.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Unidades Pacificadoras?

domingo, 7 de agosto de 2011
Nada é impodível com Di Melo, O Imorível
Residindo atualmente em São Paulo, o cantor e compositor Di Melo acumulou em suas três décadas de reclusão, fãs de várias partes do mundo, mais de 400 canções e diversas especulações sobre o seu desaparecimento. Quando perguntado sobre a razão de ter lançado um único LP ele não titubeia. “Em algum momento da minha carreira o que eu queria fazer não estava sendo feito, e o que queriam me impor eu não queria aceitar, então eu meio que me esquivava”, conta, referindo-se, talvez, às pressões artísticas das gravadoras na época em que gravou o seu disco de estreia.
Mas outros fatores foram ainda mais determinantes para que Di Melo saísse de cena, “entre elas o fato de eu ter músicas estouradas nos discos do Vando e do Jair Rodrigues. O meu próprio disco tocava o tempo inteiro, saía de uma rádio e ia para a outra. Quando fui receber meus direitos autorais tinham apenas onze cruzeiros. A partir daí eu me desencantei. Não que eu estivesse focado apenas no dinheiro, mas era muita trabalheira pra absolutamente nada, então eu me senti como se estivesse assinando diploma pra otário”, lamenta. Apesar disso, o músico afirma que jamais se afastou das artes, com centenas de canções criadas e dois livros que, de acordo com ele, só não foram publicados devido à falta de patrocínio.
Corroborando o senso comum que diz que nossos artistas costumam ser mais valorizados lá fora, Di Melo conta sobre o seu disco, encontrado a venda na Holanda pelo valor de 700 Euros. Os amigos sempre o informavam sobre a popularidade de suas músicas em outros países, de como os DJs e colecionadores haviam”redescoberto” seus grandes sucessos. “Eu costumava brincar que conheci quatro cantores: Frank Sinatra, Pavarotti, Toni Beneth e eu (risos). Certa vez um amigo me ligou de Londres, às 8 horas da manhã, e me disse assim: ‘Di melo meu velho, saiu uma pesquisa apontando você como uma das dez melhores vozes da música mundial, mas é uma pena que você morreu em um acidente de moto, após ter gravado um único disco, épico, com os grandes músicos da música brasileira”, conta orgulhoso ao referir-se ao LP que conta com participações de nomes ilustres como o multi-instrumentista Hermeto Pascoal.
Com energia renovada, Di Melo conta sobre a boa receptividade que vem recebendo por parte do público jovem e da imprensa especializada, além do aguardado documentário “Di Melo – O Imorrível”, resultado do trabalho realizado por Alan Oliveira e Rubens Pásaro. O filme aborda a carreira do cantor a partir dos pontos de vista de nomes como Simoninha, Nelson Motta e Charles Gavin. Alé do relançamento em CD do seu álbum, O Imorrível promete também novos discos mostrando um pouco do que ele tem feito nas últimas décadas. E quem viver, verá.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Mais ou menos...humanos?
Notícias de violência gratuita já são lugar comum na imprensa, como aquela que relatava a história de um pai e um filho que foram atacados durante um rodeio, porque foram confundidos com gays. Como se a opção sexual de alguém fosse justificativa pra esse tipo de violência.
O incrível é que para muitos essa é sim uma boa razão e os responsáveis, em sua maioria, não são os pobres, aqueles a quem normalmente são atribuídos os crimes violentos (vide Datena e similares). Os crimes de intolerância costumam vir dos “bem nascidos”, dos que tiveram acesso à educação, aos bens de consumo, e a um repertório cultural que, em tese, deveria fazer deles pessoas melhores. Ledo engano! Isso não aconteceu, e talvez as vantagens tenham dado a essas pessoas o falso senso de superioridade que as orienta a agir assim. Viver em um mundo dominado pelo preconceito e classificações que dividem o planeta entre os “mais ou menos” humanos, de acordo com critérios étnicos e culturais arbitrários é um desafio que tem crescido cada vez mais, principalmente porque, ao contrário da violência gerada pela pobreza e pela exclusão, essa não é gerada pela falta de oportunidades.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Indignação

Ontem recebi uma notícia triste pelo facebook. Um texto que contava como o Alexandre de Sena, ator mineiro que estava em Blumenau a trabalho, foi covardemente espancado por policiais. Um detalhe: Alexandre é negro. Não que a truculência policial só atinja negros, mas a forma como ele foi abordado é uma demonstração típica de preconceito, tão naturalizado no Brasil que se torna quase imperceptível.
Alexandre estava esperando alguns amigos em um posto de conveniências quando o PM ordenou que ele se retirasse utilizando a frase”vaza negão”.
Apenas ela não!
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O adeus do Lapa Multshow

No dia 10 de julho, sábado, o Lapa Multshow, importante espaço da cultura musical de Belo Horizonte, encerrou suas atividades. Após mais de 14 anos e uma sériede shows realizados com artistas dos gêneros mais variados, a casa situada no bairro Santa Efigênia deixa de fazer parte das nossas opções de final de semana. Difícil é não se sentir um pouco órfão, principalmente se você, como eu, acompanha de perto o cenário cultura da cidade. O Lapa era mais um dos símbolos do que BH produz de melhor em termo de música, ao lado de lugares igualmente importantes como A obra, Matriz, Bordelo, etc e etc.
Quando, no início do ano, tivemos uma conversa com o Guilardo Veloso (responsável pelo Lapa) e ele nos contou sobre a “ordem de despejo” que havia recebido da imobiliária, começamos a imaginar formas de impedir aquilo. O Lapa iria deixar de ser “o Lapa” para se tornar um supermercado ou coisa que o valha. A cidade inteira sairia perdendo. Para mim, pessoalmente, a perda tinha um peso muito grande. Principalmente pelo fato de o Guilardo ter recebido minha banda para que realizássemos o show de lançamento do nosso primeiro CD, em um esquema de parceria que nós nem imaginávamos que fosse acontecer. E o mesmo foi feito com outros, colocando em primeiro plano, sempre, a relevância da proposta e não a sua capacidade de levar um número x ou y de público.
No fim das contas nos despedimos do Lapa Multshow, palco que recebeu vários artistas locais como Eminence, Renegado, Julgamento (nós), Transmissor, Capim Seco e Pedro Morais (só para citar alguns), e também nomes como Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, Tulipa Ruiz, Lucas Santana e tantos outros.
Foi cogitada a possibilidade de solicitar o tombamento do lugar e logo depois pedir à prefeitura que o transformasse em uma espécie de centro cultural, gerenciado pela sociedade civil. A discussão foi levantada e levada adiante e, para surpresa geral, o objetivo foi alcançado.
Em tempo, nosso muito obrigado a Guilardo, Vinícius e toda a equipe que fez do Lapa o que ele foi, um lugar que ficará na memória de quem o conheceu, com seus grandes shows e noites inesquecíveis.
