sexta-feira, 26 de junho de 2009

O fim de uma era


Pensar em Michael Jackson significa pensar automaticamente, em música pop, já que a vida do astro se confunde com a evolução da indústria fonográfica. A repentina morte do músico no dia 25 de junho de 2009 encerrou um ciclo de sucesso, escândalos e controvérsias. Mas de tudo isso o que fica realmente é o trabalho de Michael Jackson e tudo o que ele significa para a música no mundo inteiro. Medir a importância deste ícone não é tarefa das mais fáceis. Jackson pertence ao panteão de artistas influentes do século XX, ao lado de nomes como Ray Charles, Elvis Presley, James Brown, Frank Sinatra, Rolling Stones, Madonna, Beatles e alguns poucos outros. Mas Jackson tinha algo mais, uma luz própria que o diferenciava. Para quem é afeito a números, basta dizer que o álbum Thriller (1982), produzido pelo mago Quincy Jones, é, ainda hoje, o mais vendido da história. Cerca de 104 milhões de cópias no mundo inteiro.


Michael é produto de uma era que não existe mais, devido, entre outras coisas, às mudanças sofridas pela indústria fonográfica nos últimos anos. Jackson é fruto de um tempo em que astros pop não eram meros produtos fast food, era possível construir uma carreira sólida e duradoura, embora não fosse tão mais fácil.


A longevidade do sucesso de Michael Jackson se deve também ao seu carisma e por reunir qualidades de um grande artista em uma única persona. Além de cantor, o homem era bailarino, coreógrafo e ator. No auge de sua carreira, na década de 80, a simples menção de seu nome remetia à algo incomensurável, titânico até.
Não se tratava simplesmente de um cantor de sucesso, de um astro, ou mesmo um ícone. Tratava-se de Michael Jackson. E essa talvez fosse uma das grandes diferenças entre este e os demais grandes artistas da música, não havia adjetivos que fossem explicativos o suficiente para descrever quem ou “o que” ele era.


Não é exagero dizer que a figura do astro fez parte das vidas de muita gente. Eu cresci vendo e revendo seus clipes, ouvindo e cantarolando suas músicas, mesmo que em inglês “embromation”, e como quase todo garoto da minha época, eu queria crescer para ser Michael Jackson. Ou pelo menos dançar como ele. Nem preciso dizer que passei longe disso.
As conquistas do astro não foram poucas e ele soube usar o vídeo como ninguém, desde os clipes, que ajudaram a construir o mito em torno de sua figura, até suas aparições em programas de TV. Como sua apresentação no aniversário da Motown em 1984, mostrando diante dos olhos incrédulos da platéia e dos telespectadores o seu Moonwalker, passo de break dance em que ele parecia estar caminhando para frente mas, inexplicavelmente, se movendo para trás.


O tamanho de sua influência? Vejamos, Jackson deu lições importantes para a música pop como um todo, influenciou artistas dos mais variados, da black music ás sofríveis "boybands", os passos de break usados por ele ajudaram a fomentar as fagulhas do hip-hop mundo afora. O artista conseguiu mesclar em seu trabalho elementos da Soul Music, R&B e Rock tudo numa roupagem pop. Em seus 50 anos de vida o músico alterou radicalmente a música nas mais diversas culturas do planeta.


Os escândalos, especulações sobre a sua sexualidade ou mesmo os comentários sobre as suas bruscas e constantes mudanças de aparência, não conseguiram reduzir seu brilho e importância.
No fim das contas, Michael era mesmo o que deu título a um de seus últimos álbuns. “Invencible”.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo...



Conseguiram derrubar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. A decisão saiu dia 17 de junho de 2009, por 8 votos a 1. A alegação de Gilmar Mendes, relator do processo, é que o diploma limita a liberdade de expressão, como se os cidadãos realmente interessados estivessem impedidos de se expressar através dos meios de comunicação. No final das contas a decisão só serviu para causar comoção, desgaste e, na minha humilde opinião, há assuntos mais urgentes a serem discutidos, como a redução dos benefícios dos políticos profissionais, que recebem muito por tão pouco (com todo respeito aos que trabalham).

No continente europeu e nos Estados Unidos não existe a obrigatoriedade do diploma, é fato. Apesar disto, as empresas dão preferência aos profissionais formados por acreditarem que estes se encontram mais capacitados para o exercício sério da profissão. A discussão acerca do assunto gera opiniões extremas. De um lado, aqueles que acreditam que alguém que não tenha passado pela faculdade de jornalismo encontra-se totalmente incapacitado para exercer a função e, do outro, aqueles que defendem que qualquer um pode fazê-lo. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

Claro que podem surgir indivíduos, sem a formação em jornalismo, mas podem fazer tão bem ou melhor que muitos jornalistas habilitados, caso de grandes nomes como Carlos Heitor Cony (formado em filosofia mas aprendeu a prática nas redações), por exemplo.
É importante lembrar, no entanto, que estes casos são exceções raríssimas. Teriam que nascer muitos “Carlos Heitor Cony” para dar conta da demanda jornalística e substituir profissionais formados. Não existem normas específicas da profissão e um código de ética à toa. A decisão do Supremo Tribunal de Justiça foi um deboche claro de quem vê a produção da informação como coisa secundária.

Como Alberto Dinnes disse tão bem no site Observatório da Imprensa, a obrigatoriedade do diploma nunca serviu de obstáculo para que outros cidadãos exercessem o direito à produção de informação, mas garantia a qualidade deste que é um bem de toda a sociedade. O Jornalismo sempre enfrentou problemas, é verdade. Desde a lei da mordaça utilizada por alguns como forma de tentar nos inibir, seja através de ameaças de demissões (via os mais diversos tipos de lobbyes), seja pela censura explícita de determinados veículos. Apesar disso havia ao menos a certeza de que estávamos lidando com profissionais prontos para aquelas situações, para apurar e levar a informação mais próxima da realidade quanto possível.

Apesar da decisão do STF, que para mim é um enorme retrocesso, pouca coisa deve mudar. A função não será dada a qualquer um que ache que pode, é necessário mérito, não mero “achismo”. Lidar com informação, traduzir o mundo de forma que as pessoas compreendam o emaranhado de coisas que acontece à nossa volta não é tarefa das mais fáceis. No entanto, se alguém, sem diploma de jornalismo, se mostrar digno da alcunha, que seja. Necessário frisar, mais uma vez, que bom jornalismo vai além de boa escrita e boa dicção. Acrescentandoi: base teórica é necessária sim, ao contrário do que alguns acreditam.